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MTI do Brasil

Quinta, 19 Out 2017
Mostrar items por tag: descarte no brasil

S este ano o pas ter estatsticas sobre a gerao de resduos de produtos eletrnicos. E a regulamentao sobre logstica reversa apenas em 2013

Em 2010, um relatrio do Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) colocava o Brasil na liderana entre as naes emergentes na gerao de lixo eletrnico per capita a cada ano. O relatrio apontava que o lixo eletrnico descartado por pessoa, no pas, equivalia a 0,5 quilo por ano. Os nmeros so questionados pelo Ministrio do Meio Ambiente (MMA). A gerente de Resduos Perigosos do ministrio, Zilda Veloso, considera os dados inconsistentes, porque a Organizao das Naes Unidas (ONU) utilizou uma metodologia europeia baseada na comercializao. Mas o governo brasileiro no tem nmeros sobre aquisio de produtos eletrnicos.

Se a gente no tem dados do mercado de comercializao, como que eles chegaram queles nmeros? No tem sentido, argumenta Zilda Veloso.

O MMA manifestou formalmente seu posicionamento contrrio ao relatrio da ONU, por meio do Itamaraty. E elabora, no mbito da Poltica Nacional de Resduos Slidos, um estudo de viabilidade tcnica e econmica, que deve apresentar informaes sobre a gerao de resduos desse tipo. A previso que o estudo seja divulgado em quatro meses _ portanto aps a Conferncia das Naes Unidas sobre Desenvolvimento Sustentvel, a Rio+20, programada para junho prximo, no Rio de Janeiro. O projeto do Grupo Tcnico Temtico de Eletroeletrnicos, do Comit Orientador para Implementao de Sistemas de Logstica Reversa.

O estudo vai referendar se possvel fazer o recolhimento e destinao desse tipo de resduo agora ou no, disse. Na logstica reversa, os fabricantes vo assumir a responsabilidade para a destinao do equipamento ps-uso. Zilda no descarta que parte dessa responsabilidade recair sobre o consumidor. Ela destacou a importncia da conscientizao do cidado nesse processo. Nada vai funcionar se o consumidor no fizer o descarte adequado.

Segundo Zilda, o estudo vai captar as possibilidades de reciclagem de eletroeletrnicos. O objetivo no s fazer o retrato do setor, mas saber se o setor tem hoje condies de fazer a logstica reversa. O estudo vai dizer o comportamento do consumidor, o tipo de consumo que existe no Brasil e quais so os bens consumidos. Com base nesses dados, o governo ter condies de avaliar se possvel fazer a logstica agora ou no. Uma das coisas que ele vai levantar uma estimativa de gerao de resduos atual.

O comit orientador coordenado pelo Ministrio do Meio Ambiente e tem a participao dos ministrios da Sade; do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior; da Agricultura, Pecuria e Abastecimento; e da Fazenda. No ano passado, o comit decidiu que a regulamentao das cinco primeiras logsticas ser feita por meio de acordo setorial. So as logsticas de eletroeletrnicos; embalagens plsticas de leos; lmpadas; embalagens em geral; e medicamentos.

A logstica que se acha mais adiantada a de embalagens plsticas de leos lubrificantes. A regulamentao est indo para consulta pblica da proposta de acordo setorial em, no mximo, 30 dias. A regulamentao de eletroeletrnicos tem incio previsto para 2013. Porque uma cadeia bem complexa. Pega desde celular at um aparelho hospitalar, como tomgrafo, disse a gerente do MMA.

Ela ressaltou tambm a figura do catador na logstica reversa. Adiantou, entretanto, que caso ele venha a ser includo no processo, ter de ser treinado para poder separar os produtos eletroeletrnicos.

O professor de engenharia ambiental da Escola Politcnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Haroldo Mattos de Lemos, no v motivos para ter melhorado a posio brasileira no ranking de lixo eletrnico gerado entre os pases emergentes. Lemos preside o Instituto Brasil Pnuma, que o Comit Brasileiro do Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Ele avaliou que no foram plantados no pas grandes programas para reduzir o volume de lixo eletrnico. Existem algumas iniciativas de reciclagem, mas eu acredito que elas esto sendo suplantadas pelo crescimento do volume de aparelhos que descartado. Sua impresso que o lixo eletrnico est aumentando no Brasil.

Projeto capacita catadores de 53 cooperativas

Adestinao correta dos resduos eletrnicos levou o Instituto Gea-tica e Meio Ambiente a implantar, em janeiro do ano passado, em parceria com o Centro de Descarte e Reuso de Resduos de Informtica (Cedir), da Escola Politcnica da Universidade de So Paulo (Poli-USP),o projeto Eco-Eletro (Segurana+Renda), de capacitao de cooperativas de reciclagem.

O projeto patrocinado pela Petrobras e leva dez catadores por ms para os bancos da Poli-USP, onde aprendem como lidar de forma segura e mais rentvel com o lixo eletrnico.

A presidenta do Instituto Gea, Ana Maria Domingues Luz, disse Agncia Brasil que a entidade percorre depois as cooperativas, para constatar se os catadores esto aplicando, na prtica, o que aprenderam no curso.

Uma das catadoras formadas pelo projeto Selma Maria da Silva, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Reciclveis (MNCR). Para a gente, foi muito bom, porque ns j estamos trabalhando com lixo eletrnico, declarou. Os catadores formados viram multiplicadores dos conhecimentos obtidos nas cooperativas. Selma faz parte da Cooperativa Nova Esperana, localizada em So Miguel Paulista (SP), onde j h um posto coletor implantado para esse tipo de equipamento.

Alm dos catadores, o Instituto Gea recebe, tambm gratuitamente, outros interessados nos cursos do projeto. So pessoas de comunidades, de organizaes no governamentais, das prefeituras, alm de apoiadores e jornalistas. Tem sido muito interessante porque, ao mesmo tempo em que estamos disseminando informaes sobre os problemas de como descartar o lixo eletrnico, isso permite que pessoas de diferentes nveis econmicos possam conviver em sala de aula e, s vezes, diminuir preconceito, destacou Ana Maria.

O projeto Eco-Eletro se estender at o final deste ano. A perspectiva ter at dezembro mais oito turmas de catadores. A presidenta do Instituto Gea admitiu que existe a possibilidade de renovao do patrocnio da Petrobras para o projeto, mas com algumas modificaes. A ideia, disse, dar mais condies para expandir o conhecimento para outras localidades do Brasil, uma vez que o projeto no dispe, no momento, de recursos para pagar a estadia e alimentao para catadores de outras cidades.

Ana Maria estimou que a questo do lixo eletrnico ter maior divulgao quando for implantada a logstica reversa (devoluo do produto aps o consumo aos fabricantes). O mecanismo abre possibilidade de parceria dos catadores com as prprias empresas e ir beneficiar tambm a populao brasileira como um todo.

fonte idgnow